Music

The Nevermet Ensemble
Quarto Escuro

Rudimentol Records 2005
(Rud CD003)

The musicians never met. They don't even know each other. Recordings were sent by mail from Belgium, France, Italy, Japan, Spain and the United States, to be mixed in a small room in Lisbon, Portugal.


Alex Temple [USA]:
synthesizers, effects, sampler, noise.

Brekekekexkoaxkoax (Josh Ronsen) [USA]:
clarinet, ring modulator, field recordings.

Emmanuel Ferrand [France]:
organs, synthesizers, circuit bendings, effects, found footages, electric guitar, field recordings, objects.

Godfried-Willem Raes [Belgium]:
(Automats) «Vibi», «Troms», «Piperola», «Harma», «Player Piano».

Miguel Feraso Cabral [Portugal]:
voice, violin, flute, «saxoo», drums, percussion, organs, mandolin, guitars, tape recorder, accordion, piano, objects.

Paco Balbuena & Remedios Ayala [Spain]:
computer, effects, audio manipulations, percussion, field recordings, found footages, piano, radio.

Phobode (Giuseppe Mileti) [Italy]:
computer and sounds manipulation.

Tetsuro Yoshimitsu [Japan]:
radio waves, radio recordings.

Mixed and produced by Miguel Feraso Cabral


Track list:

01 - 01:00 Une Minute
02 - 04:28 The Straw
03 - 04:46 Brazen Whispers
04 - 01:59 Gastrix Reloaded
05 - 03:24 Insomniac Chronicles
06 - 04:05 Paura
07 - 02:56 O Passado
08 - 00:08 Ocho Fracturas
09 - 07:33 Joguki Mimi
10 - 02:51 Complicazione
11 - 11:00 Onze



Reviews


THE NEVERMET ENSEMBLE, QUARTO ESCURO


This essentially non-existent group comprises nine perfect strangers from across Europe, Japan and the USA, who last year mailed music files of everything, from electric organs and field recordings, to toys and ring modulated clarinet, over to Miguel Cabral. He then edited and mixed them in "a small room in Lisbon, Portugal".

The first track here, "Une Minute", consists of a 60 second churn-up of abrasive electronics and unrecognisable sounds. But while listeners may be gritting their teeth in anticipation of more of the same, we're already off, on "The Straw (That Breaks The Dromedary's Back)", into a series of ominous, near-Prog keyboard and drum lines. These soon drop off the edge into a muted electronic wash before rising out of the murk again as the track mutates.

This is not the first time this sort of collaboration has been attempted -indeed, Simon Fisher Turner's 2005 album Lana, where he worked in a process of addition and subtraction of material with Rainier Lericolais and Tu m', was a brilliantly realised joint effort. Cabral and friends bring us something more redolent of the rougher hewn sounds of The Faust Tapes. But whereas Faust distanced themselves by chopping up their recordings into a patchwork of edits, here Cabral works from the other direction -moulding and editing a bunch of stuff into a coherent musical statement. His palette is as wide as Faust's and he demonstrates a similar perverse humour in his juxtaposition of elements. Snatches of melody or singleminded rock riffs are bombarded by electronics, or cut into body sounds (snoring, crying) and eavesdropped radio broadcasts, or they simply run out of steam and disappear.

After 30 minutes or so this begins to blur into one dark carnival of passing sound. But the 11 minute "Onze" showcases Cabral's mercurial way with the material. An initial mosaic of microsounds, synthetic rhythms and elliptical percussion figures segues into a lone child's voice, which soon gets shoved aside by fuzz guitar chords.

The cryptic nature of the enterprise is exemplified by the closing track. Having neither title nor mention on the sleeve, this heavily fucked-with melody rolls out like the theme tune for the preceding sonic movie.

Mike Barnes, in THE WIRE, feb 2006


THE NEVERMET ENSEMBLE, QUARTO ESCURO

★★★★★★★★☆☆

Os participantes dos Nevermet Ensemble nunca se encontraram fisicamente para gravar este disco. Foram trocados correspondência, cd-r, o material circulou até ir parar às mãos de Miguel Cabral que fez todo o trabalho de edição no seu «quarto escuro». O resultado de tais manobras resultou num álbum diversificado onde a electrónica adquire os contornos mais inusitados, desde as abstracções obtusas a pop manchada de mil e um experimentalismos, colagens à la Negativland, pormenores de música contemporânea, electropop, ambiental, «noise» digital e em geral toda a espécie de sonoridades estranhas produzidas por gente de nome anónimo mas imbuída de boas ideias e munida de um arsenal de sintetizadores, samplers, computadores, ondas de rádio, objectos, instrumentos de brinquedo a par de vozes e «field recordings» das mais variadas proveniências. Os ambientes variam entre o onírico e o surreal, e aproximam-se por vezes de algo parecido com os Residents, como em «O Passado» e «Complicazione». Dificilmente se encontrarão sons mais bizarros do que neste «Quarto Escuro», compilação de artistas que não o querem ser. Pelo menos às claras.

Fernando Magalhães, in Público, mar 2005


THE NEVERMET ENSEMBLE, QUARTO ESCURO


Portuguese label Rudimentol is the place where experimental music can be directed to the future even while being influenced from the past. This peculiar work, elaborated via mail by musicians that don't know each other (hence the project name), mixes echoes of progressive rock a la Van Der Graaf Generator, random acoustic procedures, space music and convergences of strange oscillations with carillon-like lazy melodies. It's a disorienting pot pourri where an African kalimba, a distorted guitar power chord and the singing of a little baby can be in unpredictable succession with orchestral samples reverberating like if played in a giant tank, all of this suddenly voided by a low frequency hum. Besides Miguel Cabral - head of the label - the only involved artists that I knew before are Godfried-Willem Raes and Josh Ronsen, but make no mistake: this is an extremely pleasant concoction.

Massimo Ricci, in Touching Extremes, mar 2005


THE NEVERMET ENSEMBLE, QUARTO ESCURO


Le musicien portugais Miguel Cabral est à l'origine du projet de cette formation dont les musiciens "ne se sont jamais rencontrés". Il renoue avec l'idée des collaborations à distance. Sept partenaires, issus de Belgique, de France, d'Italie, du Japon, d'Espagne et des Etats-Unis lui ont envoyé leurs contributions, qui seront mixés à Lisbonne. Les diverses participations ont donné lieu à onze pièces, du trio à l'octet, entre 8 secondes et onze minutes, épousant une gamme assez large du spectre musical, toujours décalées et qui se caractérisent chacune par de curieux et brutaux collages ou associations de styles et d'approches musicales: tantôt de brèves séquences répétitives sont anéanties par de violents éclats sonores, des passages d'essence ethnique sont très vite balayés par des fulgurances rythmiques. Etonnant et volontiers déstabilisateur, "Quarto Escuro" réussit à capter l'attention de l'auditeur forcé de rester sur son qui vive.

Batteur à l'origine, Miguel Cabral s'est reconvertit au milieu de la précédente décennie dans l'élaboration de nouveaux instruments (mandoline transformée …) et la mise à contribution des sonorités issues d'objets divers du quotidien: répondeurs téléphoniques, ustensiles de cuisine, bouteilles en plastique, coutellerie, ciseaux …

A l'aube du XXIe siècle, il s'associe à Nanu, guitariste, chanteur et autre bricoleur, issu de la musique pour film d'animation, pour réaliser le premier opus de Mola Dudle, "Mobilia", une suite hétéroclite de 25 courtes séquences musicales, entre délire surréaliste, mélodies pop déjantées, bref, un capharnaüm sonore.

Pierre Durr, in Revue & Corrigée, dec 2005


THE NEVERMET ENSEMBLE, QUARTO ESCURO


A música de Miguel Cabral tem-se cingido por dois princípios. O primeiro é o de que toda a música é "misturável", ou seja, de que há sempre algo de comum ou de relacionável em todos os estilos e famílias musicais. O outro é a noção de que, para a feitura de uma música colectiva, que envolva um grande número de participantes, a distância geográfica e física não é um impeditivo.

O primeiro passo deu-o há uns anos com o primeiro álbum do projecto Mola Dudle ("Mobília", AnAnAnA), construído a meias com Nanu nas idas e vindas do correio entre os arredores de Lisboa e o Algarve, associando canção e experimentalismo sonoro.

O Nevermet Ensemble é o passo seguinte, mais ambicioso ainda. O meio de contacto mudou, passando do telefone ("300 Km", daquela primeira edição, foi totalmente composto com um auscultador ao ouvido) para a Internet, aproveitando as virtudes epistemológicas desta, que não apenas instrumentais, no sentido de que, como diz René Berger, nos faz entender as coisas de maneira diferente. Tendo como referência os aposentos "às escuras" de alguns clubes nocturnos de Nova Iorque, San Francisco, Londres, Paris, Berlim ou Tóquio que promovem encontros sexuais desresponsabilizados (sobretudo de orientação "gay" ou S&M), na medida em que não é possível ver quem é ou quem são o(s) parceiro(s), "Quarto Escuro" é um "blind date" de músicos que responderam ao apelo de Miguel Cabral enviando-lhe de países como a Bélgica, Espanha, os Estados Unidos, França, Itália e Japão gravações por eles preparadas e destinadas a serem cruzadas e associadas no seu estúdio, com adição do próprio arsenal de instrumentos do português (violino, flauta, "saxoo", bateria, percussão, órgãos, bandolim, guitarras eléctrica e acústica, gravador, acordeão, piano gravado com telemóvel, programações electrónicas, objectos, voz), resultando num produto outro que não aquele por cada um inicialmente intencionado. Alguns deles são bastante conhecidos nos meios da música "de arte", como é o caso de Godfried Willem-Raes, um nome ligado ao movimento Fluxus, mas de outros nunca ouvimos por cá falar. Uns e outros utilizam desde instrumentos convencionais a autómatos, brinquedos, "field recordings" e electrónica digital.

"Quarto Escuro" é, então, o equivalente musical às colagens Dada e uma espécie de "cadáver esquisito" surrealista, sem necessariamente ter a ver com o "cut and paste" da música feita com samples. A abordagem de Miguel Cabral é mais crua (menos composicional, se quiserem) e, digamos, mais "punk", no sentido em que lhe interessa evidenciar não o fascínio dos usos técnicos e tecnológicos, mas a grande maleabilidade dos próprios materiais com que trabalha. E isto mesmo quando se esforça por estruturar e por dar forma às conjunções que vai edificando com as contribuições dos seus convidados, enquadrando os mais inusitados sons em molduras que poderemos conotar com o rock industrial, a electropop ou outra tipologia organizada. O objectivo é mesmo confrontar o ouvinte com estratégias de reconhecimento e estranheza, preferindo problematizar a seduzir e obrigando à máxima atenção por via do que há de intrigante nas situações criadas.

Isto é "mail music" em toda a dimensão do género, revitalizando uma prática que parecia estar adormecida desde a rede internacional de cassetes áudio da década de 1980. E não só porque circularam pacotes de um lado para o outro; o que aqui está é o que é devido ao muito correio electrónico enviado e recebido, demonstrando que houve uma mudança na comunicação entre os homens. O e-mail não é só mais rápido, mais prático e menos oneroso, permite-nos também chegar com mais facilidade a quem não conhecemos. E convidá-los a fazer música connosco...

Rui Eduardo Paes, in REP, apr 2005


THE NEVERMET ENSEMBLE, QUARTO ESCURO

★★★★☆

É preciso respirar fundo. Quando colocar a rodela a correr sob o laser, naturalmente já saberá o que o espera. Já saberá que está na presença de um dos discos mais estranhos do ano. E isto é bom, ponto final. O experimentalismo sonoro tem hoje entre nós - e não só - um campo de progressão quase incontrolável, não sendo difícil encontrar quem nele navegue por estes dias. Há algo que naturalmente facilita hoje esta progressão pois não raras vezes este trabalho se desenvolve em nome individual - as novas tecnologias isso possibilita, isso permite.

Mas...o que vai neste «Quarto Escuro» que faz dele um dos discos mais fascinantes de 2005? É exactamente o contrário do que já aqui referi. Este, é um trabalho colectivo, estranho mas colectivo e filho varão das potencialidades criadas pela moderna tecnologia. The Nevermet Ensemble é isso mesmo, é o fruto criado por quem nunca se viu enquanto este se concebia. A loucura maior nem é essa, o meio, a forma, incrível é mesmo o resultado alcançado: já o tinha dito antes e repito, é «delirante, naturalmente fascinante».

Pode ler-se no sítio da Rudimentol Records «The musicians never met. They don't even know each other. Recordings were sent by mail from Belgium, France, Italy, Japan, Spain and the United States, to be mixed in a small room in Lisbon, Portugal.» Em Lisboa pois claro; mas de quem é o quarto afinal? «Mixed by Miguel Cabral»: é dele.

O resto é o delírio, incontrolável, abrupto, delicioso e nada convencional, só mesmo experimentando. Depois das brilhantes experiências já oferecidas por Soopa e Kubik, The Nevermet Ensemble completa o leque dos mais interessantes ensaios da moderna musicologia portuguesa de 2005. Aventurem-se...

Rui Dinis, in A Trompa, sep 2005


THE NEVERMET ENSEMBLE, QUARTO ESCURO


Negazione della necessità di vicinanza fisica per l'interplay, sviluppo neurale della musica quale prodotto di rete remota: il senso del Nevermet Ensemble è nel nome. I musicisti si conosceranno pure, ma per fare 'Quarto Escuro' mai si sono incontrati. Scambio di files e registrazioni, tutto orchestrato da Miguel Cabral. L'ottetto è composto, oltre che dal demiurgico portoghese, da Alex TempIe, Josh Ronsen, Emmanuel Ferrand, Godfried-Willem Raes, Paco Balbuena e Remedios Ayala, Tetsuro Yoshimitsu e l'italiano Giuseppe Mileti, alias Phobode. Come sia stata pianificata nel dettaglio l'attività non è dato saperlo - e invece potrebbe essere interessante.

Il titolo dell'album, che significa 'Stanza Oscura', proviene da un gioco di bambini dove i partecipanti cercano di identificarsi soltanto attraverso il tatto. Passatempo curioso se non inquietante, - ci ricorda un terribile racconto di Bradbury, Gioco d'Autunno. Tecnica derivata dalle metodiche 'cadavre esquis'. Fuori discussione che nel riassemblare i materiali Cabral è attento a dare coerenza narrativa alla musica e giustamente puntuale nell'indicare i vari apporti alle sequenze, alle quali gli otto partecipano in varie formazioni 'virtuali', più o meno allargate. Tre le ri-composizioni ad ensemble completo: l'atmosferico miasma di Paura, la scheggia Ocho Fracturas (y cincuenta y cuatro hematomas) e il game piece hard boiled Joguki Mimi. La virtù principale di 'Quarto Escuro' è l'equilibrio tra momenti sperimentali e astratti e strutture 'standard'. Ci sono brani quasi rock (rock a la Red Crayola se non a la Doo Dooettes) come Gastrix Reloaded e 'musiche d'atmosfera' per thriller surrealisti. Un sound movie emotivamente comprensibile tra Grand Guignol e la Pantera Rosa, artificioso ma godibile.

Dionisio Capuano, in BLOW UP magazine, feb 2006


THE NEVERMET ENSEMBLE, QUARTO ESCURO


Oscuro e spiazzante questo "Quarto Escuro" nonchè sottilmente delirante. Nevermet Ensemble sono gruppo virtuale che esiste principalmente nella testa del suo assemblatore principale Miguel Cabral. E' lui infatti il responsabile di questa divertente operina experimental globale alla Negativland che si sbatte in ogni direzione possibile strappando sempre e comunque un cenno di assenso convinto. I partecipanti non si sono mai incontrati fisicamente, i loro rapporti si sono basati su di una fitta rete di e-mail e scambio di file al quale ha dato forma definitiva in fase di mixaggio l'intervento di Miguel Cabral che si è premurato anche di aggiungere tutta una serie di strumenti tradizionali portoghesi.

Teatrino epilettico generato fra Spagna, Italia, Giappone, Stati Uniti, Francia, Belgio e per l'appunto Portogallo. Teatrino epilettico e tribale che grattando la scorza colta esprime un notevole e dissacratorio ghigno punk di primo ordine. Strumenti acustici, field recordings, respiri assortiti e voci urlate, computer colti in delirio notturno ed harmonium sacrali; qualcuno ha qualcosa d'altro da aggiungere? Parrebbe proprio di si. Non può mancare infatti tutta una serie di melodie quasi da carillon, qualche grattata orribile di chitarra distorta al limite col prog ed una serie di arie metalliche da suonatore di gamelan ubriaco che fanno sempre tanto felice l'ascoltatore. Schizzi industrial, passi e passetti che potrebbero essere electropop, musica contemporanea e noise digitale; non ci si fa mancare proprio nulla da queste parti. Ed il tutto invece di provocare repulsione come potrebbe sembrare genera un intrigantissimo fascino che giunge a lambire territori prossimi ai Residents ed al compianto Snakefinger. Poco meno che ottimo dunque (nonchè molto divertente). Piacevole sorpresa.

Marco Carcasi, in Kathodik, mar 2006


THE NEVERMET ENSEMBLE, QUARTO ESCURO


Naturalmente será um dos projectos mais estranhos do ano. Delirante, naturalmente fascinante. A história é simples: até o disco estar concluído, os membros do agrupamento (agrupamento...bem) nunca se haviam encontrado; melhor, nem sequer se conheciam. Do convite efectuado à comunidade global viajante nesta rede, chegaram contribuições de diversas personagens vindas da Bélgica, Espanha, Estados Unidos, França, Itália, e Japão. A mistura (muito importante, percebe-se) foi feita "num pequeno quarto algures em Lisboa". Sim, claro, também há um português. O português. Ele é Miguel Cabral, para além da contribuição directa em termos instrumentais também misturou e produziu o disco. Para quem se fascina por coisas diferentes...imprescindível.

Rui Dinis, in A Trompa, may 2005


THE NEVERMET ENSEMBLE, QUARTO ESCURO


Bij Rudimentol Records is onlangs een CD verschenen van een toch wel zeer merkwaardig ensemble. De muzikanten hebben nooit samen gespeeld, ze kennen elkaar in feite niet en wat straffer is ze wisten niet hoe de CD zou klinken die ze gingen uitbrengen. The Nevermet ensemble heeft duidelijk zijn naam niet gestolen. Een van de "bandleden" is Godfried-Willem Raes wiens automaten op Quarto Escuro - zo luidt de titel van de CD - te horen zijn. Bedenker van het koncept is Miguel Cabral (Portugal) die muzikanten uit diverse strekkingen van de experimentele muziekwereld gaande van avant-progressive rock en vrije improvisatie tot de experimentele muziek van Logos uitnodigde om opnames op te sturen voor het Nevermet-projekt. Hij heeft zich van de taak gekweten om uit een amalgaam van geluidsmateriaal (synthesizers, circuitbending, veldopnames, akoestische instrumenten, samplers etc.) bruikbare fragmenten te samplen en er een nieuwe plaat mee te brouwen ... Het resultaat is verrassend. Alleen al die verschillende stijlen tot een koherent geheel smeden, lijkt toch wel een huzarenstukje: je hoort flitsende montages, soundscapes met heel verfijnde geluidteksturen, dan weer lekkere grooves. Een vleugje humor ontbreekt zeker niet. Maar afgezien van de muziek is deze CD toch ook een statement: dat een artiest iemands werk vrij kan gebruiken om zelf kreatief bezig te zijn zonder dat auteursrechten moeten betaald worden, dat is waar de public domain filosofie voor staat en Godfried-Willem Raes al jarenlang fervent tegenstander van het auteursrecht - was uiteraard gewonnen voor het projekt. The Nevermet ensemble bestaat uit volgende muziekmakers: Miguel Cabral (Portugal) : stem, gitaar, viool, fluit, perkussie, objekten, etc. Brekekekexkoaxkoax (Josh Ronsen) (VS): klarinet, veldopnames. Alex Temple (VS): synthesizers, samplers, noise. Emmanuel Ferrand (Frankrijk): synthesizers, circuit bendings, objekten, veldopnames, etc. Godfried-Willem Raes: "Vibi", "Troms", "Harma" en "Player Piano". Paco Babuena & Remedios Ayala (Spanje): komputer, geluidmanipulaties. Phobode (Giuseppe Mileti) (Italië): geluidmanipulaties (komputer). Tetsuro Yohimitsu (Japan) : radiogolven, radio-opnames.

Kris De Baerdemacker, in Logos Blad, apr 2005

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